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A Venezuela na hora do desempate: novo rumo ao socialismo ou recolonização?

O empate na luta de classes radicalizada que se trava na Venezuela desde a chegada de Hugo Chávez ao governo, em 1999, atingiu o ponto de não retorno. Estamos às vésperas de uma ruptura, seja pela desobstrução do caminho das mudanças ou pela sua derrocada.

Chegou aquele dramático momento de definição, quando são reduzidas as possibilidades de um pacto de elites ou de uma trégua, pois as contradições já são praticamente inconciliáveis. Acabou de concluir-se a Assembleia Geral da OEA, onde o imperialismo, respaldado pelos governos de direita do continente e mesmo de alguns tidos como progressistas (Chile e Uruguai) tentou e não conseguiu impor sanções contra o governo venezuelano.

Apesar de inúmeros limites e dificuldades – alguns impostos pelas vacilações e traições de setores governistas e outros pela campanha sistemática de boicote e desestabilização movida pelos setores hegemônicos da burguesia venezuelana e pelo imperialismo norte-americano –  a chamada revolução bolivariana, sem sombra de dúvidas, foi o processo de mudanças mais radical da “onda progressista” na América Latina e, portanto, até hoje o mais respaldado pela grande maioria dos setores populares e inclusive do ponto de vista militar.

Nenhum outro governo dito progressista em nossa região resistiria a uma pequena parte das agressões de que tem sido vítima o processo bolivariano, com exceção, em alguma medida, do caso do governo da Bolívia, exatamente porque também surgiu a partir de intensas lutas de massas e não apenas de resultado eleitoral.

Nos demais países em que se anunciaram mudanças estas não passaram de discurso eleitoral ou de tentativas de melhorar a condição de vida e renda do trabalho sem tocar nos interesses do capital ou até privilegiando este, como ocorreu no Brasil nos governos petistas. Tanto é assim que a presidente Dilma foi derrubada por um golpe midiático-parlamentar, alegadamente constitucional, sem qualquer resistência dos trabalhadores.

Já na Venezuela, os setores populares têm muito a perder no caso de derrota do processo bolivariano que, graças principalmente à estatização da PDVSA, promoveu de fato uma distribuição de renda e assegurou direitos sociais reais nas áreas da saúde, educação, habitação, mesmo não tendo vencido o maior desafio, ou seja, a diversificação da economia para fugir da dependência da exportação do petróleo e promover a substituição de importações. Houve também importantes conquistas políticas, com o avanço da organização do proletariado e de sua consciência de classe.

Em toda a América Latina, com repercussão mundial, uma eventual derrota do governo Maduro será a principal vitória do imperialismo norte-americano neste século em que experimenta impasses e derrotas em sua sanha de agressão aos povos e de saque das suas riquezas naturais, como são exemplos mais notórios o Afeganistão, o Iraque e a Síria.
A Venezuela bolivariana foi a parteira e tem sido o principal suporte de todas as tentativas heterogêneas de mudanças em nosso continente. Sem ela, a fúria do imperialismo se voltaria imediatamente contra a Bolívia de Evo Morales e Cuba perderia o seu mais fiel aliado. A Venezuela é o único país cujo governo promove uma relação solidária e de parceria com a Ilha Socialista.

Para o imperialismo, a escolha da Venezuela como alvo principal na região, não tem como únicos fatores a derrubada de um governo hostil e o saque de uma das maiores reservas de petróleo do planeta, localizadas a uma distância infinitamente menor que as do Oriente Médio. O território venezuelano permitiria aos EUA um posicionamento decisivo para a ocupação da Amazônia e tem um valor estratégico importante na ofensiva de recolonização da América Latina, por sua extensa fronteira com a Colômbia, hoje já sua mais dócil colônia, com sete bases militares ianques, além das forças armadas mais numerosas da região, as únicas treinadas em combates reais.

Basta ver o mapa e perceber o que pode significar para o imperialismo, em termos estratégicos, a Colômbia e a Venezuela com governos de direita a seu serviço, num enorme e rico espaço geográfico que separa a América do Sul da América Central, do México e do Caribe, localizado nas fronteiras da Amazônia e banhado por dois oceanos!

E é bom lembrar que a Colômbia foi escolhida pelos EUA como uma espécie de Israel para a América Latina e até missões mais longínquas. O país firmou recentemente com a OTAN um “Acordo de Cooperação em Informação e Segurança” e passou a vender serviços militares terceirizados como é o caso de 800 soldados colombianos desmobilizados e em seguida contratados pela Arábia Saudita para participar da guerra de agressão que ora comete contra o Iémen.

É assustador imaginar a implantação na Venezuela de um governo de direita e pró-imperialista, inteiramente identificado com o governo colombiano, que já é parte ativa da tentativa de golpe violento no país vizinho, promovendo boicote à economia venezuelana e infiltrando paramilitares que já vêm atuando em algumas ações violentas da oposição a Maduro. Esse quadro ficaria ainda mais perigoso para a Venezuela e toda a América Latina uma vez concluída a entrega das armas por parte das FARC e possivelmente do ELN, insurgências que há cinco décadas estiveram presentes em áreas na fronteira entre os dois países.

A eventual queda do governo bolivariano significaria a recolonização de toda a América Latina, o fim de toda a herança de experiências interestatais mais ou menos avançadas, como a ALBA e até mesmo a Unasur e Celac. Teríamos a OEA fortalecida e a ALCA revivida.

Ninguém que se declare anti-imperialista pode vacilar neste momento crucial por que passa o povo venezuelano. A menos que não o seja!

Não há desculpa que esconda essa farsa. Nem as de “esquerda”, alegando que a revolução bolivariana não é socialista, nem as de “direita”, que reclamam a falta de democracia.
Compartilhamos algumas dessas críticas, mesmo que por razões e perspectivas diferentes, mas não temos qualquer dúvida, qualquer vacilação: a solidariedade ao povo venezuelano e ao processo bolivariano é, no momento, a principal contribuição dos verdadeiros anti-imperialistas.

No nosso caso, ainda temos outra razão para participar dessa solidariedade. Se as forças populares vencerem essa quebra de braço o processo deverá avançar no sentido do fortalecimento do poder popular e num possível caminho ao socialismo. O maior indício desta possibilidade é o acerto da convocação da Assembleia Constituinte, com um peso significativo de delegados eleitos pelas comunas, uma iniciativa ofensiva que alterou o paradigma e a pauta da batalha política e mobiliza os trabalhadores e as forças populares em geral na luta por ampliar e consolidar as conquistas políticas, sociais e econômicas do processo e avançar na qualidade e radicalidade das mudanças.

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